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Comércio e atividades consideradas não essenciais fecham as portas durante lockdown no Distrito Federal.
Impressões

Amargo regresso

  • janeiro 14, 2022
Comércio e atividades consideradas não essenciais fecham as portas durante lockdown no Distrito Federal.

O avanço da Ômicron trouxe o sentimento de “vai começar tudo de novo” na população. O aumento do número de casos da Covid-19 e o crescimento das internações obrigaram governos a adotarem restrições. Esta semana, pelo menos quatro capitais tiveram UTIs com mais 80% dos leitos ocupados: Recife (80%), Belo Horizonte (84%), Fortaleza (88%) e Goiânia (94%), segundo a Fiocruz.

A palavra lockdown voltou ao vocabulário. Após acabar com as festas do Carnaval em praticamente todo o país, a variante também começa a cancelar eventos. O uso de máscaras que foi flexibilizado em áreas públicas poderá voltar a ser 100% obrigatório.

Em São Paulo, o público de jogos de futebol será de 70% da capacidade do estádio. Em Brasília, festas em ambientes fechados estão proibidas. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) pediu a suspensão definitiva da temporada de cruzeiros pelo país. As companhias aéreas cancelam voos por causa da contaminação das tripulações. As ações das empresas do setor de turismo voltam aos patamares do início da pandemia. Empresas começam a revisar a intenção da volta do trabalho presencial.

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, admitiu pela primeira vez que a Ômicron é um “desafio que traz perspectiva de colapso do sistema de saúde”, mesmo com o avanço da vacinação. Por enquanto, a remontagem de hospitais de campanha está descartada. Os governos estaduais, porém, pedem ao governo federal que aumentem os recursos para testagem da população. Há, contudo, falta de insumos para a detecção do vírus.

O impacto no sistema de saúde e o freio na retomada econômica é inevitável e deve aumentar a tensão entre os governadores, o presidente Jair Bolsonaro e seus adversários na corrida ao Palácio do Planalto. Tudo isso a dez meses das eleições.

O Brasil vê o futuro repetir o passado.

Nova temporada

CPI da Covid terminou em outubro, mas pode ser retomada em fevereiro. (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

A CPI da Covid no Senado poderá ser reinstalada na volta do recesso parlamentar, em fevereiro. Um novo pedido de investigação foi protocolado na terça-feira (11/01) pelo senador Randolfe Rodrigues (REDE/AP). A nova CPI pretende apurar as omissões do governo após o fim da primeira comissão, em outubro. No radar está, por exemplo, o apagão de dados da Covid-19 que já dura um mês; a postura de Jair Bolsonaro contrária à vacinação infantil; a falta de previsão para doses de reforço em 2022 e os ataques do presidente da República à diretoria da Anvisa.

O movimento de recriação é liderado pelo chamado G-7, grupo de sete parlamentares da oposição, que manteve reuniões periódicas do chamado Observatório da Pandemia.

A intenção é convocar como primeiro depoente o procurador-geral da República, Augusto Aras, cuja postura em relação aos crimes apontados na primeira CPI é considerada passiva. Para ser recriada, a CPI precisará do apoio de 27 senadores e do aval do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD/MG).

Presidenciáveis em ação

O novo ministro da Casa Civil, Walter Souza Braga Netto e o presidente Jair Bolsonaro, durante cerimônia de posse no palácio do Planalto

A divulgação da primeira pesquisa eleitoral de 2022, esta semana, provocou reações diversas entre os principais presidenciáveis. O retrato do momento permanece inalterado: Lula (PT) tem 45%, Jair Bolsonaro (PL), 23%; Sérgio Moro (Podemos), 9%; e Ciro Gomes (PDT), com 5%, segundo pesquisa Quaest/Genial.

Consolidado na liderança, Lula amplia a agenda internacional com uma viagem ao México nas próximas semanas. A aliança com Geraldo Alckmin para a vice-presidência esfriou, o acerto com o PSB se arrasta, e o ex-tucano já foi convidado para se filiar ao Solidariedade.

Bolsonaro voltou a fazer acenos aos apoiadores radicais e mirou novamente nos ministros do Supremo Tribunal Federal. Em outra frente, abriu conversas com o estrategista político Paulo Moura, cotado para ser o marqueteiro de campanha. Preocupado com a repercussão negativa da carta do presidente da Anvisa, Barra Torres, no meio militar, voltou a sondar o general Braga Netto, ministro da Defesa, para ser vice-presidente.

Moro disparou ataques a Lula e Bolsonaro. Conheceu a proposta econômica elaborada pelo economista Marcos Cintra e está sendo convencido a mudar de partido. O ex-ministro migraria para o novo partido União Brasil, a fusão do PSL com o DEM, que será oficializado em fevereiro A presidente do Podemos, Renata Abreu, surge como possível candidata a vice. Toda essa movimentação tem mais um objetivo: facilitar uma aproximação com os tucanos caso a campanha do governador João Doria não decole. Na próxima semana, Moro vai rodar o interior de São Paulo, buscando os desencantados com o voto “BolsoDoria”.

Ciro foi atrás de uma parceria para tentar tirar a candidatura da inércia, a ex-senadora Marina Silva (Rede). Pela primeira vez se falou na “Cirina”. As conversas são iniciais e sujeitas às dificuldades impostas pelas agendas estaduais do PDT e da Rede.

Crise contratada

Servidores públicos do Judiciário e do Ministério Público da União (MPU) fazem manifestação em frente ao Congresso Nacional (Valter Campanato/Agência Brasil)

Pelo menos 19 categorias dos servidores públicos vão cruzar os braços na terça-feira (18/01), na primeira paralisação para pressionar o governo a conceder reajuste salarial em 2022. Outras duas podem acontecer nos dias 25 e 26. Ainda se discute uma greve geral em fevereiro. O protesto é organizado pelo Fórum Nacional Permanente de Carreiras Típicas de Estado (Fonacate).

Os funcionários públicos reagem à decisão do presidente Jair Bolsonaro de conceder reajuste salarial apenas para policiais federais, policiais rodoviários federais e agentes penitenciários, deixando os demais de lado. É o tipo de crise que o governo criou para si próprio.

A equipe econômica descarta qualquer tipo de reajuste para as demais categorias, que poderia custar até R$ 50 bilhões. A retirada da promessa de reajuste para os policiais chegou a ser discutida, mas os impactos políticos, sobretudo em ano eleitoral, levaram o governo a pensar duas vezes.

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