Diversidade

Glossário

Diversidade e inclusão é um tema sobre pessoas, suas experiências pessoais e individualidades, o que as torna únicas na expressão da sua verdade.

Diversidade é a representatividade do diferente, promovendo o elo entre tradição e inovação e, inclusão é a instauração de uma mudança cultural e de comportamento em relação à estas diferenças.

A linguagem como forma direta e de alto impacto na comunicação afere sentimentos e perspectivas múltiplas e, por vezes vem carregada de uma bagagem preconceituosa, devido ao nosso passado escravocrata, machista e opressor de minorias, mesmo sendo estas, maioria.

Por isso, criamos este glossário de termos que devemos riscar do nosso vocabulário ou substituí-lo por um termo não opressor ou que não fira o outro.

Frase que faz alusão ao animal veado do jogo do bicho, como se nessa idade a pessoa tivesse que decidir se tem interesse em um ou noutro sexo.

Associação entre preto e alguma situação desconfortável ou difícil.

O termo mostra a incapacidade da pessoa branca em identificar as nuances entre os seres humanos.

Frase de defesa quando se aponta alguma atitude racista.

Tudo que não segue o padrão branco europeu é exótico. Todos os povos que não têm pele de cor clara, cabelo claro e liso e traços finos são ditos exóticos (o negro, o asiático, indígena etc.).

Frase que invalida a bissexualidade.

Usado para designar pessoas esnobes, mas o termo foi utilizado no período da escravidão para chamar os negros que chegavam do continente africano e que não falavam a língua portuguesa.

Refere-se ao cabelo afro. Não existe cabelo ruim ou bom; existe cabelo.

Preconceito com o que não conhecemos. Se a religião é de matriz africana, ela é maldosa por ser diferente da religião branca/europeia.

Tática usada por escravizados para melhor se alimentarem. Por vezes, escondiam pedaços de carne sob o angu. No entanto, ao usar este termo, parece que a situação está errada.

Discriminação de religiões e/ou cultos africanos.

Comer muito ou comer comidas consideradas “junk food” são atitudes de pessoas gordas. Esse pensamento faz parecer que essas pessoas sempre se alimentam mal.

Expressão usada para se referenciar a cor da pele normalmente a tons de bege e rosa.

Alguns escravizados tinham como função segurar coisas para seus senhores, não podendo fazer barulho para não atrapalhar. Pode-se substituir esta expressão por mesa de cabeceira ou mesa de cama.

Parece um elogio, entretanto se associa à mulher sensualizada e que leva o homem ao pecado; neste caso, à luxúria.

Sinônimo de difamar ou maldizer. Tem raiz em tornar negro, ‘manchando’ a reputação que ora foi ‘branca’.

Este termo tem muitas teorias, sendo a mais comum de que a expressão vem da marinha, local em que se usam uniformes brancos. No dia de trabalhar, era necessário colocar o uniforme. Logo, dia de branco. Porém, a expressão foi tomando uma conotação claramente racista.

Eram as mulheres negras escravizadas, que trabalhavam com limpeza na casa de brancos e eram consideradas “domesticadas”.

É interessante utilizar o termo escravizado no lugar de escravo, uma vez que escravo demonstra algo inerente à pessoa. Sabemos que os africanos foram sequestrados, torturados e desumanizados, ou seja, escravizados à força.

Associação de exu ao diabo cristão está incorreta. Em cultos africanos e religiões derivadas deles, não existe a figura do diabo ou do deus.

Como se precisasse ressaltar que, apesar da cor negra, a pessoa é bonita. Para pessoas brancas, o elogio estético não está associado à cor.

Acentuando a beleza do rosto como forma de amenizar o fato de a pessoa estar gorda.

Maneira de abrandar o fato de a pessoa estar gorda.

Termo pejorativo, esta palavra foi definida pelos colonizadores portugueses, que acreditavam terem chegado às Índias; o termo foi amplamente associado a pessoas primitivas ou selvagens. O termo mais correto é indígena ou povos originários/nativos; indígena significa algo como ‘natural do lugar que habita/aquele que estava ali antes dos outros’, sendo mais abrangente com a diversidade dos povos originários.

Maneira de abrandar a inveja, como se,  por ser branca,  represente um pecado menos errado.

Fala preconceituosa e pejorativa, que reduz uma região a uma única característica.

Usado como sinônimo de maltratar, faz referência ao sofrimento que milhares de judeus tiverem no período do holocausto.

Outro termo que associa o negro/preto a coisas ruins.

Outro termo que associa o negro/preto a coisas ruins.

Não vamos nos atentar às origens da palavra, mas sim o modo pejorativo com que é utilizado.

Frase que tenta encaixar as mulheres homossexuais em um padrão inexistente e preconceituoso.

Escravizados que trabalhavam à força em minas de ouro e não alcançavam suas metas recebiam apenas meia tigela de comida, e passavam a ser chamados assim como uma forma de demonstrar serem algo sem valor.

Associação entre negro e um mercado ‘ilegal’.

Termo amplamente utilizado, por se acreditar que chamar alguém de negro é ofensivo. Assim, o uso deste termo ‘amenizaria’. Não existe pele morena, moreno (a) é um termo que se refere a pessoas de cabelo da cor preta. Você pode se referir à pessoa pelo nome.

Cruzamento de cavalo com jumenta ou de jumento com égua. Se o termo for mulata tipo exportação, tem peso maior, denotando o corpo da mulher como mercadoria.

Frase que reprime o comportamento LGBTQIA+ e nos coloca como seres divergentes em caixinhas de comportamento padrão.

Expressão que também tem o contexto histórico da escravidão, em que mulheres negras eram estupradas e agredidas, sem que houvesse punição. A expressão subjuga mulheres negras, como se aceitassem tratamento inferior e desumano.

Termo que diminui as pessoas com deficiência, além de ser preconceituoso com esse grupo.

Esta expressão tem várias teorias, mas a mais popular é a de que os escravizados moldavam as telhas feitas de barro em suas coxas. Por isso, cada uma tinha um tamanho diferente. O termo denota algo mal feito.

Como se os traços finos do europeu e do branco fossem o padrão de beleza estética. Pressupõe que negros não podem ter traços bonitos.

Usada para se referir a mau odor. No entanto, Inhaca é uma ilha de Maputo, em Moçambique, onde vivem os povos nhacas, de onde saíram vários escravos trazidos para o Brasil.

Esse termo só reforça a heteronormatividade compulsória, como se fosse correto somente o comportamento e o relacionamento hétero. Logo, se a pessoa tem interesse em pessoas do mesmo sexo, ela está sendo ‘desperdiçada’.

Pessoa que se desgarra, que é diferente do padrão. Novamente o negro é usado em sentido ofensivo.

A gíria “passar pano” significa “limpar a sujeira” de alguém, ou defender uma pessoa que cometeu ou comete erros. “Passar pano” nasceu do preconceito racial e social contra empregadas domésticas.

Sinônimo de pessoa de origem humilde e nasceu no Brasil escravocrata. Um artefato de ferro era colocado na porta dos estabelecimentos para que as pessoas mais pobres (incluindo escravos) raspassem a lama dos pés antes de entrar.

Associação entre o povo preto e a alma branca, como se a dignidade da pessoa fosse melhor por ter ‘alma branca’.

Termo utilizado para se referir a alguma atividade chata ou sem graça.

Mais um termo transfóbico, que estabelece padrões binários.

Nenhum culto ou religião de origem africana ‘mata’ animais. São feitos ritualizações, compartilhamentos e usos do animal como um todo, com sua devida autorização. É bom lembrar que temos no mundo de hoje uma indústria de carne extremamente cruel e violenta, e normalmente quem usa o argumento do sacrífico para justificar seu preconceito se alimenta justamente dos alimentos vindouros dessa indústria.

Usado como sinônimo de bagunça, desorganização, confusão, falta de regras.

Escravizados eram proibidos de realizarem seus cultos religiosos, por isso colocavam dentro das imagens de madeira dos santos católicos folhas ou pedras do seu orixá/nkissi/vodum. Usar este termo faz parecer que a pessoa tem uma falha de caráter.

Ignorar algo.

Novamente a associação entre o negro e algo mal feito ou ruim. Neste caso, há xenofobia quando é dito baiano ou algum outro povo marginalizado.

Expressão pejorativa que remete ao período escravocrata, em que a cozinha era o único local da casa grande permitido às pessoas negras.

Referir-se a serviços mal feitos. Essa expressão vem da prática preconceituosa de ligar pessoas pretas a serviços mal feitos. Substitua por: trabalho errado.

Maneira pejorativa pela qual não devemos tratar travestis e mulheres trans.

Expressão usada para dizer que algo foi corrido, feito de qualquer jeito, em momento de confusão.

Termo transfóbico que dá a entender que pessoas trans são “menos homem/mulher”.

Como se emagrecer fosse sinônimo de bem-estar e boa saúde ou beleza.

Estereótipo e também tentativa de mascarar o preconceito.

Termo extremamente violento e que, em casos extremos, tem ligação direta com casos de estupro “corretivo”.

Frase que coloca as pessoas em uma caixinha pré-formatada de como ser, agir e viver a própria vida, e que faz parecer que a pessoa não sabe ter uma escolha autêntica para a própria vida, ou que essa escolha é a errada por não se encaixar no que é considerado padrão.

Cultura

Toda cultura tem nuances e particularidades que lhes são características e, toda cultura passou por algum tipo de rebaixamento, opressão, machismo, racismo ou qualquer outro preconceito, e é claro que isso se torna gritante nas piadas, expressões, termos e palavras que utilizamos em nosso cotidiano, muitas vezes não sendo por maldade, apenas por desconhecimento ou puro descuidado das palavras que usamos, de tanto ouvir alguma expressão, a repetimos sem sequer questionar o conteúdo dela; é inconsciente.

Porém, é responsabilidade de quem entende o quanto um termo fere outra pessoa, de semear a mudança desse traço negativo da cultura, de modo que, de geração em geração, tais preconceitos sejam erradicados, de modo a ficar claro na mente de todos a sagacidade em perceber um termo ou expressão que seja realmente ofensivo e, com o cuidado de não levar o ritmo ao extremo oposto e problematizar qualquer palavra.

Tal atitude, criará uma futura geração de pessoas mais conscientes com sua comunicação e com maior responsabilidade afetiva sobre o impacto de suas falas no outro.

E, aos poucos, diminuirá o processo de apagamento de memória, identidade, comportamento, religiosidade e tantas outras coisas que nos fazem diferentes e únicos.

Tem alguma sugestão?

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